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A mostrar mensagens de janeiro, 2025

termos de precaução

 No auge dos meus 14 anos, tentei suicidio pela primeira vez e por alguma razão, esse dia está rondando minha mente nesse exato momento. Eu sei perfeitamente que o que provoca essa memória é um sentimento asfixiador de que faço tudo errado, sem mais, nem menos. Na medida certa do exagero. Naquela noite, meu cerébro, que está constantemente fazendo todo tipo de barulho que possamos imaginar, só sabia repetir que eu não era boa o suficiente, nem mesmo quando passo meses me preparando pra algo, eu ainda realizo a proeza de ser incrivelmente pessima em tudo. Repetindo feito uma vítrola quebrada e o disco não troca, feito um papagaio que repete o que ouve sem ao menos saber o que significa. E tola do jeito que sou, acredito em objetos quebrados e animais tagarelas. É mais fácil acreditar. Ou pelo menos eu achei que fosse. Aceitar, seguir em frente e deixar o tempo curar as feridas dessa minha insuficiencia e incapacidade de ser realmente boa em alguma coisa. Até que os anos se passaram ...

uma série de coisas não ditas e temperaturas não registradas

 essa situação me deixou Tão fora de órbita que senti minhas orelhas esquentando, como se estivessem sendo fritadas e prestes a serem servidas para uma plateia que sente pena, mas come mesmo assim. isso faz algum sentido? eu acho que não. na verdade, absolutamente NADA tem feito sentido algum e isso me atormentaria mais se eu fosse capaz de sentir alguma coisa decente. não sou. tudo o que sinto transita entre o mais carnal e impuro até o mais grotesco repugnante ou o mais melancólico, solitário e depressivo gênero de sentimento. nada sobre mim tem a ver comigo. nada sobre mim me remete a mim. nada sobre mim parece fazer sentido. e esse raciocínio estende como uma linha que não se termina, cheia de nós que, conforme são desfeitos, só aumentam a linha. nada sobre nós é de fato sobre nós. talvez seja, talvez seria, talvez fosse, mas neste exato instante-já, não é mais.  essa fúria que queima o peito e espalha pelas articulações me sufoca tanto quanto as lágrimas que se secam ante...