termos de precaução

 No auge dos meus 14 anos, tentei suicidio pela primeira vez e por alguma razão, esse dia está rondando minha mente nesse exato momento. Eu sei perfeitamente que o que provoca essa memória é um sentimento asfixiador de que faço tudo errado, sem mais, nem menos. Na medida certa do exagero. Naquela noite, meu cerébro, que está constantemente fazendo todo tipo de barulho que possamos imaginar, só sabia repetir que eu não era boa o suficiente, nem mesmo quando passo meses me preparando pra algo, eu ainda realizo a proeza de ser incrivelmente pessima em tudo. Repetindo feito uma vítrola quebrada e o disco não troca, feito um papagaio que repete o que ouve sem ao menos saber o que significa. E tola do jeito que sou, acredito em objetos quebrados e animais tagarelas. É mais fácil acreditar. Ou pelo menos eu achei que fosse. Aceitar, seguir em frente e deixar o tempo curar as feridas dessa minha insuficiencia e incapacidade de ser realmente boa em alguma coisa. Até que os anos se passaram e entre idas e vindas, cá estamos. 5 anos depois e eu me deparo com pensamentos suicidas enquanto lavo as mãos. Esse sentimento nojento de não ser boa o suficiente infelizmente nao pode descer pelo ralo da pia e eu não soube o que fazer, talvez nem quisesse reagir... Só encarei meu reflexo no espelho e achei engraçado ter pensamentos suicidas enquanto lavava as mãos, já que não tinha absolutamente nada acontecendo naquele momento além das minhas frustrações estarem tão grandes quanto seres humanos. No final das contas, eu não vou me matar e lembro que aos 15 anos tomei a mesma decisão. Agora é porque eu não sei se vale a pena, já que pode dar errado, enterros custam caro e eu tenho uma vida consideravelmente boa. Em 2020 foi porque eu acreditava ter assinado alguma espécie de termo que dizia "EI! Você não pode mais tentar se matar ou seus pais serão presos. Ou algo do tipo. Palavras da Dra.". Imagine condenar seus pais por ter nascido com uma mente condenada? Pois é. Não tinha como achar isso normal e eu não sabia até que ponto essa memória era verdadeira. Passo por isso com todas as memórias. Então, nunca sei se o que vivo é real ou apenas uma das tentativas do meu cérebro de suavizar a vida. Odeio estar divagando e devaneando, esquecendo dos objetivos de minhas palavras. Mas aconteceu. Eu me perdi no fio da meada. 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

odeio ter a letra parecida com a de minha mãe.

meu óculos tá com o grau errado

eu só quero sofrer