uma série de coisas não ditas e temperaturas não registradas
essa situação me deixou Tão fora de órbita que senti minhas orelhas esquentando, como se estivessem sendo fritadas e prestes a serem servidas para uma plateia que sente pena, mas come mesmo assim. isso faz algum sentido? eu acho que não. na verdade, absolutamente NADA tem feito sentido algum e isso me atormentaria mais se eu fosse capaz de sentir alguma coisa decente. não sou. tudo o que sinto transita entre o mais carnal e impuro até o mais grotesco repugnante ou o mais melancólico, solitário e depressivo gênero de sentimento. nada sobre mim tem a ver comigo. nada sobre mim me remete a mim. nada sobre mim parece fazer sentido. e esse raciocínio estende como uma linha que não se termina, cheia de nós que, conforme são desfeitos, só aumentam a linha. nada sobre nós é de fato sobre nós. talvez seja, talvez seria, talvez fosse, mas neste exato instante-já, não é mais.
essa fúria que queima o peito e espalha pelas articulações me sufoca tanto quanto as lágrimas que se secam antes mesmo de cair. não posso. não devo. não é meu direito sentir isso. não tenho nem mesmo o querer pensar sobre isso. talvez tenha. no mais profundo dos eus, aquela que ainda tiver a coragem de se conhecer e entender pode estar pensando sobre isso, mas quanto mais próximo da superfície estamos, menos eu quero ter a consciência de mim e a consciência de que sinto qualquer coisa. pior do que qualquer coisa é qualquer coisa sobre ISSO. será que você pensa nela quando me lê? eu sei que não, mas não posso evitar as perguntas se formando como uma tempestade avassaladora.
e a mágoa não fica para trás. ela se entrelaça na fúria mas ao invés de sufocar, ela alaga aos poucos. enchendo buraco por buraco, dúvida por dúvida, e enfim o espaço de respostas não recebidas. e quando tudo se vai, não há mais forças para secar esses inúmeros espaços danificados. os fungos medrosos que se alastram e criam ainda mais perguntas. será que sou como ela? tudo aquilo que venho dizendo desprezar... imagine se deparar com um espelho e enxergar aquilo que mais odeia. isso não me é um desafio, mas existe uma diferença brutal entre se odiar e odiar alguém. e se eu for como alguém que odeio, será que só errei em meio a tantas tentativas de acerto?
será que em algum momento eu vou obter uma resposta que não venha da minha própria verdade inventa?
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