odeio ter a letra parecida com a de minha mãe.
02 de dezembro de 2023
hoje pensei em arrancar todas as paginas desse caderno maldito. estou de tpm. consequentemente odiando tudo e TODOS. odeio ter problemas de raiva. sempre tive. parece que sempre vou ter. desacostumei a escrever. meu cérebro atrofiou. odeio meu emprego. constantemente tenho pensamentos de ódio. você também tem? se pudesse falar, gostaria de perguntar se prefere quando escrevo ou não escrevo. se prefere letra de forma ou letra de mão. cola bastão ou liquida. linhas tortas ou retas. queria perguntar se você também odeia tudo. se me odeia. eu posso te perguntar. posso lidar com a ausência de respostas.
Às vezes sinto raiva de pessoas que sequer conversamos. Às vezes sinto vontade de xingar a toa. me calo. guardo ao máximo. explodo por dentro diariamente. "tá mais fácil me jogar na frente de um ônibus"
"é menos doloroso tomar um tiro na boca"
me expresso com rancor e amargura. me sinto assim. odeio ter a letra parecida com a de minha mãe. queria que fossemos completamente diferentes. queria que ela nunca tivesse conhecido meu pai. ou que ela tivessse se mudado antes do sexo forçado. queria não ter nascido. eu me odeio, às vezes. e odeio sexo, o tempo todo. me dói só de imaginar.
estou aguardando a tempestade.
quero que o parque alague. quero que os brinquedos quebrem. poderia desaparecer hoje. não me importaria. gosto de quem não gosta de mim. gosto do cheiro da chuva. da maré alta. das nuvens acesas pelos raios. gosto das poças de lama. queria ser invisivel. gosto de estar pelada. É QUASE TUDO IGUAL.
sinto falta da minha irmã. sinto falta de chorar. quero voltar para São Paulo. aqui não é o meu lugar. será que tenho um lugar. poderia sumir e não dariam falta. eu sinto falta de mim. os passáros noturnos fogem da chuva como fujo de mim. nos encontramos em sonhos, entre a criação e a destruição de mim mesma.
texto tirado de um diário velho.
Comentários
Enviar um comentário