Sabadão

 Nas últimas semanas - ou meses, não sei, minha concepção de período e tempo virou uma bagunça - eu criei um hábito muito esquisito, acompanhado de um hábito péssimo. Caminhar por aí, sem propósito algum depois do trabalho, na maioria das vezes junto de um cigarro. Acredite, eu não me orgulho, nem um pouco, mas só andar andar andar e andar me traz algum tipo de tranquilidade. E fumar também. Mas é uma tranquilidade falsa, porque tem dias que em seguida vem a culpa. Não faço todo dia, só nos dias que são meio ruins, ou nos dias que eu, por algum motivo, queira evitar chegar em casa. Porque depois das responsabilidades da manhã e da tarde eu não quero encarar as que vou ter quando chegar no meu quarto a noite também. Tipo quando tenho afazeres da faculdade, ou até mesmo quando ele está tao bagunçado que me deixa frustrada só de encarar a porta. Vou ser dramática agora, mas é só como eu me sinto, tudo isso é culpa minha. A bagunça no quarto, o trabalho que toma mais tempo do que devia, as escritas básicas que eu entrego para os meus professores, o cigarro e o cansaço. É tudo meio culpa minha, por que em algum momento, não sei quando, eu perdi o fio da meada e nem tentei ir procurar. 

Andar é bom. Hoje por exemplo, fiz isso pela primeira vez depois de um plantão. Eu gosto muito das voltas dos plantões que eu faço de manhã, porque elas acontecem em um horário muito prazeroso, e nos fins de semana as pessoas tiram os dias para fazerem coisas prazerosas, então eu posso observar elas. São coisas bem clichês mesmo, por exemplo crianças acompanhadas de seus pais em direção de um parque ou algo do tipo. Hoje vi uma barraquinha de discos de vinil montada na paulista, e os vendedores muito animados com a quantidade de pessoas que se aproximavam. Pensei em me aproximar também, mas eu não tenho uma vitrola e muito menos dinheiro sobrando para comprar um vinil. Pensei em ir e só perguntar: vocês costumam sempre montar essa barraquinha aqui? Mostrar que eu tinha a intenção de um dia voltar, mesmo que eu dificilmente eu fosse. 

Gosto muito de andar, de verdade. Gosto quando minha vó pede pra eu passar no açougue na volta, só para fazer o caminho mais longo. Um dia, um dos funcionários achou que me conhecia, e começou a falar comigo como se conhecesse. Foi outro cara atrás que percebeu minha expressão de confusão e disse “Ei! Não é ela não.” Mas depois a gente riu da situação, e se a gente não se conhecia agora a gente se conhece de certa forma. Ele perguntou o que eu fazia, falei que trabalhava em um veículo jornalístico grande. Isso é sempre legal de contar, porque as reações são sempre de encanto e seguidas de parabéns. Um encanto que, honestamente, se eu senti três vezes vivendo essa experiência, foi muito. Naquele dia eu cheguei em casa numa paz inexplicável, e depois saí com um amigo que  hoje não tenho mais. Foi um dia bem legal. Faz algum sentido sentir nostalgia de coisas que aconteceram no máximo 4 meses atrás? Não sei.  

Voltando a falar sobre a caminhada. Tem dias que sinto que poderia ir do Morumbi até a minha casa andando sem problema algum, e pensa em quantos cigarros daria pra fumar durante esse trajeto imenso, sabe kkkkkkk? Vou parar de falar sobre cigarro. Importante pontuar que eu saio do trabalho a noite, ou seja, ando por aí no escuro mesmo, o que é perigoso pra caralho, obviamente, mas sabe aquela crença de “isso nunca aconteceria comigo”?, pois é, eu levo ela a sério até demais. 

Hoje só escrevi tudo isso porque estou me sentindo meio coitada. Tenho o dia todo ainda, mas não quero sair nem fazer nada. Talvez eu lave meu cabelo, mas provavelmente não vou. Ou se meu irmão chamar, eu vá no cinema com ele, essa é a única coisa que eu faço mesmo quando não quero fazer nada. Nao tem nenhum motivo específico ou plausível para eu estar tao tristinha assim, só estou. E apesar de ser ruim, acho que ta tudo bem pq fazia muito tempo que eu nao ficava tristinha. 

Sou patética, todos os horóscopos de twitter que aparecem na minha timeline falam que a semana para aquarianos ia ser uma bosta. E eles estavam certos. Entao me deixa ainda mais triste quando eles aparecem e eu inevitavelmente leio, porque sinto que tem alguém olhando pra minha cara e dizendo “fudida, fudida, fudida”, que todo mundo sabe que eu fico triste e estou triste agora,  que todo mundo leu o texto da mell oráculos e pensou “nossa a isadora Quaglia é de aquário :/ e aquarianos só vao se fuder essa semana :/“ 

Esses últimos dias eu relatei um mesmo sentimento específico para três pessoas diferentes, e nenhuma das três entendeu. Uma delas, inclusive, foi minha psicóloga. Não acredito nessas coisas de “ai ninguém sente o que eu sinto, ai ninguém me entende” que meio que implica que nossa dor é sempre a coisa mais anormal do mundo, mas depois dessa me senti bem anormal. 

Enrolei muito para voltar pra casa e agora o ônibus só vai passar 13h30. Enfiiim amo sábados de qualquer jeito, até mesmo os meio merda. 

(Um senhorzinho com uma blusa com o símbolo do sbt apareceu no terminal fumando um cigarro kkkkkk wow he’s literally me.)

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