Tudo parece totalmente errado, (mas tudo está melhor do que parece)

 Ás vezes minha mente inventa problemas. Problemas sérios, pelo menos pra mim. Sabem quando a Fiona Apple diz "the ants weight more than the elephants"? Vivo constantemente dando uma atenção TOTALMENTE EXAGERADA para coisas desnecessárias. Mas daí eu penso e me pergunto: quem define o que é ou não necessário? Minha mente ultimamente anda um caco. Não quero comer, nem tomar banho, nem sair de casa... Ainda assim, tenho feito de tudo um pouco, só é sofrido e cansativo. Exaustivo. Minha cabeça dói, gira e enfraquece, mas eu continuo tentando comer, tomar banho e sair de casa. Estava numa festa ontem e foi divertido, é muito bom estar entre meus amigos, mas eu só queria que acabasse logo. Queria me deitar num pasto esverdeado e florido, vegetar e florescer. Não sentir mais esse peso infinito, esse cansaço inacabável e essa amargura cheia de ingratidão. Algo tá muito errado, parece que odeio todo mundo que eu gosto, ou todo mundo que gosta de mim e minha vontade é de fugir e fugir e fugir para muito longe, voltar para São Paulo no primeiro ônibus que anunciasse partida. Me acostumei tanto com a vida em Campinas e, apesar de estar deprimida em qualquer lugar, sinto falta de estar deprimida no kitnet do meu pai, minutos antes de correr para a Coopera ou de me encontrar com minhas amigas num café hiperfaturado. Saudades de estar no intervalo do Coopera, perambulando pela cidade, ou então de sair de casa naquela escuridão metropolitana, vendo sempre as mesmas pessoas, nos mesmos horários. Encontrar o Hugo na entrada da Coopera e fingir não ter visto por estar sempre morrendo de vergonha, pra depois entrar num papo mega filosófico durante alguma aula tediosa de física enquanto dividimos um salgadinho gorduroso comprado no Xoxo (apelido carinhoso para Oxxo). Dividir um camel de cravo com a Gigi e falar sobre como o amor nos frustra, mas que a frustração não nos faz querer amar menos. Sinto falta de comer CQ com papai e de acordar com a minha irmã no colchão ao lado. Campinas me trouxe muitos confortos ao longo do ano e eu me perco agora em ruas catarinenses, não encontro mais nada, nem ninguem que me traga tanta familiaridade... Talvez a minha namorada, mas ao associá-la a Campinas, isso só faz o sofrimento aumentar e até os momentos bons são acompanhados de muita angustia, estresse e aquela vontade imensa de fugir. Odeio lidar com a dualidade das coisas, mesmo sabendo que é isso que compõe a beleza da vida. Queria poder apenas não sentir nada, já que tudo está acompanhado de muita tristeza. Já não sei mais para onde estou indo com essas palavras e devaneios todos. Não sei mais onde quero chegar. Não sei se há um lugar para chegar. Eu tento ver a saudade como algo bom, mas isso sempre me corrói, de dentro pra fora, começando pela garganta, queimando e subindo pra cabeça. Descendo e preenchendo meu estômago. Acho que a situação com a cólica e a suspeita de endometriose pioram tudo. Meu corpo inteiro dói por 5 longos dias. As articulações, a lombar, a cabeça, o útero... Tudo se contrai e expande sem cessar por 5 longos dias. Eu perco a noção de tudo. Não compreendo o que é o limite de tudo, nem ao menos o peso de minhas palavras. Parece que sou capaz de destruir tudo de uma única vez, com apenas um olhar, um sopro, uma palavra, uma expressão facial. E odeio tanto, tanto, tanto me sentir tão destrutiva. Olhando pela janela desse apartamento de centro, eu busco pela vista do meu prédio favorito, mas não o encontro. Ao acordar de manhã, eu busco por papai e minha irmã pela casa mas não os encontro. Busco pelas placas das ruas que tanto estiveram comigo ao longo do ano e nada vejo. Se eu for pra rodoviária, não vou nem encontrar um ônibus de 1h30 que me leve aos braços de meus melhores amigos. Me sinto perdida, incompleta, desnorteada. Mas volto a me perguntar: será que existe mesmo um norte? 

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